26 | 04 | 2019

Como misturar estilos na decoração?

  • Alguns móveis de qualidade, como cadeiras,  sofás e aparadores, merecem ser reformados. Se a peça lhe agrada, por  que não trocar o tecido, tirar o brilho da madeira ou até fazer uma  pátina?

    Alguns móveis de qualidade, como cadeiras, sofás e aparadores, merecem ser reformados. Se a peça lhe agrada, por que não trocar o tecido, tirar o brilho da madeira ou até fazer uma pátina?

Você adora ambientes ecléticos, onde o mobiliário contemporâneo é misturado com peças de época? Eu também. Mas, por falta de informação ou medo, pouca gente se arrisca a combinar estilos. Uma pena, porque os ambientes interessantes são justamente aqueles com boa mescla. Se você tem vontade de dar “uma quebrada” na decoração e tirar aquela cara certinha da sua casa, veja algumas dicas para não errar na hora de combinar peças de diferentes linguagens.

• Adoro peças antigas, gastas pelo tempo. São elas que dão charme a uma decoração. Claro que sua casa não precisa ter cara de museu. Mas uma cômoda antiga, com mármore já bem gasto, dá um toque especial numa sala de estar;

• Usar peças de família é sempre uma boa escolha. Mas se você só tem peças de família, o risco é o de sua casa parecer com a da sua avó. Se esse for o caso, uma estratégia é comprar um sofá bem modernoso, que não combine exatamente com o restante das peças. De preferência com linhas bem retas e um tecido liso. Se você gosta de cor, então escolha um tecido bem chamativo. Pode dar certo!

• Peças do design moderno, desenhadas por nomes como Le Corbusier, Charles Eames e Eero Saarinen, são curingas na decoração. Ficam boas em qualquer ambiente. Até em um living bem clássico, com paredes cheias de molduras e cortinas pesadas. Só cuidado para não comprar uma peça mal feita. Mesmo uma réplica precisa ter as medidas corretas e bom acabamento;

• Não tente seguir a moda na decoração. Isso deixa a casa sem personalidade. Essa história de tendência é bobagem. Claro que a gente não consegue escapar totalmente disso. Mas o que eu quero dizer é para você não ficar atrás das novidades ou copiar as revistas. Decore com aquilo que te dá vontade. Se você gosta de uma peça que tem há anos, faça de tudo para mantê-la na decoração;

• Se o seu gosto está mais para o clássico, muito cuidado: fazer da sua casa um palácio francês custa caro. Se você não é bem rico, são grandes as chances de a decoração ficar capenga. Portanto, melhor ter peças contemporâneas do que móveis de época mal executados;

• Uma ideia para quem tem uma casa carregada de antiguidades é suavizar o ambiente com a troca das cortinas. Uma persiana tipo “rolô” adiciona leveza ao espaço, enquanto as outras peças aparecem mais e ganham destaque. O mesmo pode ser feito com tapetes. Prefira os lisos, sintéticos ou de lã, que equilibram o visual da sua sala de estar;

• Alguns móveis de qualidade merecem ser reformados. Isso vale para armários, cômodas, aparadores, cadeiras e sofás. Se a peça lhe agrada, por que não trocar o tecido, tirar o brilho da madeira ou até fazer uma pátina? Mas atenção: quando o assunto é pátina, todo cuidado é pouco. Se você não se sente seguro, o melhor é não fazer, pode ficar brega;

• Objetos são fundamentais na decoração. Uma sala, mesmo que minimalista, precisa deles. Essa parte é a “cereja do bolo” do design de interiores. Use tudo aquilo de que você gosta, que ganhou de presente ou herdou da família. Objetos que contem um pouco sobre sua vida. Uma casa repleta de história tem outro sabor;

• Algumas pessoas simplesmente não têm nada além dos móveis em casa. E na hora de decorar precisam ir com calma. Elas não devem entrar em uma loja e comprar muitas peças de uma só vez. Escolher os objetos exige tempo e dedicação. Eu, por exemplo, adoro uma velharia e objetos com design mais limpo. E quando compro alguma coisa nova, nunca penso no lugar onde vou colocá-la. A gente compra porque gosta. E depois vai ver onde ela se encaixa;

• Não se preocupe em combinar os objetos. Uma seleção estranha e confusa pode dar um ótimo resultado em uma prateleira. Use a criatividade e o bom humor. A casa é como o cenário de uma peça onde somos o protagonista. E existem fases. Eu costumo mudar tudo de lugar a cada três meses. Minha casa nunca é a mesma;

• Se você tem uma coleção de objetos bacanas, nada de escondê-la. Escolha um lugar de destaque na sala e exponha para seus amigos. Tão divertido... Sem medo de ser feliz!

Marcel  Steiner

Marcel Steiner é designer de interiores e mestre em história e crítica da arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP

Como aproveitar o espaço, dispor móveis e objetos. Nosso consultor responde suas perguntas.

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