17 | 02 | 2019

Corretor de imóveis, o futuro da atividade é agora

 

 
 

Muitas mudanças têm ocorrido na profissão de corretor de imóveis desde a sua regulamentação, em 1978. Hoje, o intermediador deixou apenas de vender casas e apartamentos para assumir o papel de consultor imobiliário, orientando e assessorando seus clientes na busca pelos melhores negócios. O histórico da atividade também se modernizou, com a utilização cada vez maior dos recursos tecnológicos, com a reciclagem de conhecimento por parte dos corretores através da crescente participação em cursos, palestras, seminários e debates promovidos pelas entidades ligadas ao setor. 
No CRECISP, o interesse pela profissão é percebido pelo constante aumento no número de inscritos - que superou os 100 mil no ano passado - e, também pela migração de profissionais de outras áreas, como médicos, engenheiros, jornalistas, advogados, etc, para esta estimulante carreira. Atualmente, cerca de 78% dos inscritos no CRECISP têm formação universitária em outras áreas o que, além de agregar valor à profissão, promove um bom equilíbrio no mercado de trabalho. 
No entanto, se por um lado o corretor de imóveis recebe o devido prestígio por seu empenho em prestar um serviço de qualidade e um atendimento primoroso à sociedade, por outro, a contrapartida financeira não se verifica na mesma proporção. Se forem analisados os números do crédito imobiliário ao longo dos últimos anos, o que se vê é um acréscimo fenomenal nos valores concedidos, acima de qualquer expectativa mais otimista. Se em 2004, o financiamento de imóveis fechava o ano com cerca de R$ 4 bilhões em contratos, em 2010, atingiu-se algo em torno de R$ 124 bilhões. Entretanto, no que diz respeito aos corretores de imóveis, responsáveis pelo fechamento desses negócios, a maioria não participa desse cenário da mesma forma que as instituições financeiras e incorporadoras, por exemplo. 
A realidade do corretor de imóveis vai de encontro aos bons ventos do mercado imobiliário e o que se assiste são profissionais aviltando sua própria capacidade de trabalho. Com o argumento de saldar os custos de publicidade dos novos empreendimentos, as incorporadoras, dificilmente, destinam mais que 4% às imobiliárias e estas, por sua vez, pagam de 0,85% a 1% aos corretores. 
Com isso, cabe refletir sobre como será o futuro dessa que é uma das profissões mais antigas de que se tem notícia. A tabela de honorários do corretor de imóveis, elaborada pelo Sindicato e homologada pelo CRECISP, garante 6% ao corretor de imóveis pela transação realizada. Porém, pelas estatísticas dos negócios efetivados, é pouco provável que os profissionais tenham tido esse rendimento. 
É cada vez mais certo que o futuro da categoria depende da sua própria união. É preciso conscientização para que o profissional faça valer seu trabalho. Os corretores de imóveis são imprescindíveis ao mercado e sua remuneração não pode ser comparada a uma "caixinha" dada a qualquer um que se dispuser a ficar com a chave e mostrar um imóvel a algum interessado, tentando fechar um negócio. 
Qualquer trabalhador deve ser justamente remunerado por sua atividade. E fazer valer a tabela de honorários é, sem dúvida, o que pode garantir a preservação da categoria de corretores de imóveis, criando um ponto de equilíbrio para os profissionais e as empresas. 
"O mercado não pode continuar crescendo sem que os corretores, principais atores nesse palco, participem desse crescimento", comentou José Augusto Viana Neto, presidente do CRECISP. "As empresas acertam o percentual a ser pago aos corretores e cabe a eles, por sua vez, se sujeitarem ou não a recebê-lo. É preciso que a categoria se mobilize para cobrar o que lhe é de direito", finalizou Viana.